Muitas pessoas tem uma ideia de longevidade imposta pela internet: um dia é um suplemento 'milagroso', no outro um treino que cansa até a alma... e sem falar nas dietas mirabolantes que muitos seguem por aí. Mas Matt Kaeberlein, um dos nomes mais influentes da ciência do envelhecimento saudável, vai na contramão dessa pressa toda.
Aos 54 anos, o especialista em longevidade tem uma carreira de muito sucesso. Fundador e ex-diretor do Instituto de Pesquisa sobre Envelhecimento Saudável e Longevidade da Universidade de Washington, ele já publicou centenas de artigos sobre envelhecimento saudável ao longo da carreira.
A maior parte destes artigos gira em torno do mesmo objetivo: entender como envelhecemos e o que ajuda a viver mais anos com saúde. Matt Kaeberlein defende a ideia de que, para manter o corpo bem, você precisa se mexer sempre, principalmente com atividade leve e constante.
O caminho do especialista começou ainda em 1998, quando ele era aluno de pós-graduação em biologia no MIT. Foi durante uma palestra sobre genética e longevidade que ele passou a ver a longevidade e envelhecimento como um tema digno dos seus estudos.
"Eu tinha pouco mais de vinte anos e o envelhecimento ainda não era uma questão pessoal para mim, mas a complexidade da biologia me impressionou profundamente. Parecia um problema importante", disse em uma entrevista posterior.
Com o tempo, a ciência também foi mudando a forma de falar sobre longevidade, indicando que não importa viver mais, mas sim viver bem com o avanço da idade. Então, a partir daí surgiu a ideia de longevidade saudável, que se refere ao tempo em que uma pessoa vive sem doenças e condições que abaixam sua qualidade de vida, como dores crônicas ou demência.
Durante uma entrevista para a CNBC, Matt Kaeberlein revelou que, para ele, a atividade física é parte central de qualquer estratégia de longevidade, mas precisa ser inteligente, variada e feita com repetição. A intensidade também é um ponto a ser observado.
"Você precisa de uma variedade de movimentos", disse ele, explicando que isso inclui atividades constantes e de baixa intensidade, em que a frequência cardíaca sobe de forma moderada e sustentável. Matt costuma fazer cerca de 30 minutos pela manhã na bicicleta ergométrica ou no elíptico, mas quando o tempo está bom prefere caminhar com a esposa.
Mas o especialista garante que não é só a baixa intensidade que é importante, já que a musculação também é imprescindível, especialmente depois dos 40 anos: "A maioria das pessoas não percebe o quão importante é desenvolver e manter a massa muscular depois dos 40", garante Kaeberlein, que treina 4 vezes por semana, todas com um grupo muscular diferente.
Segundo o especialista, outra opção é adequar os exercícios em sua rotina, tanto em casa quanto na vizinhança. Uma das práticas favoritas dele é subir uma escadaria perto de casa, com 135 degraus, que uma vez por semana ele e a esposa sobem e descem de 10 a 15 vezes, faça chuva ou faça sol.
Uma vida mais longa e saudável não depende de uma semana perfeita, e sim de um corpo em movimento, de forma constante, com a intensidade que você consegue sustentar com constância.
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